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Wednesday, February 15

Walk On


"Walk on, walk on
What you've got they can't deny it, can't sell it or buy it
Walk on, walk on
Stay safe tonight

And I know it aches
And your heart it breaks
And you can only take so much
Walk on, walk on."
U2 - 'Walk On' - All That You Can't Leave Behind - 2000

O meu vício das últimas duas semanas. Tenho ouvido U2 de uma forma repetitiva como acho que jamais ouvi e esta Walk On está a despoletar emoções estranhas cá dentro... Grande música!

Monday, January 16

Microbiology, Y U NO leave me alone?! *

O exame é quarta-feira de manhã, a matéria é imensa (quase 360 slides) e bastante difícil e específica e nem a tarde de estudo hoje na faculdade conseguiu render o que quer que fosse. Desisti do exame de quarta. Não tenho dinheiro para recursos mas lá terá de ser. Nunca na vida vou conseguir fazer aquilo esta semana.
E estou a precisar de me refugiar daqui e assentar ideias, daí a decisão: quinta-feira vou para Lisboa.
A noite de sábado não me sai da cabeça nem por nada e só me está a dar vontade de acelerar o tempo, acelerar tudo, tudo, tudo.
Fevereiro, nunca mais chegas!

* Quem perceber o título do post é claramente um 9gagger! Oh mãe, que aquilo vicia tanto!

Saturday, December 31

Closed for Inventory #3

Chegou a hora de mandar 2011 dar uma voltinha a outro sítio e de cumprimentar 2012. De guardar as alegrias do ano velho e deixar para trás as tristezas nesta entrada no ano novo porque "o que lá vai, lá vai...". De estabelecer uma série de objectivos que, se for preciso, são os mesmos de anos passados e de dizer "desta é que é!". De perspectivar tudo aquilo de novo que pode acontecer nos próximos doze meses e de tentar manter tudo o que não queremos de mude.
Chegou a altura de formular doze desejos e comer as passas (terríveis, odeio passas!), de ser o pé direito o primeiro que se põe no chão neste 2012 e de passar a meia-noite com dinheiro no bolso, para que ele não nos falte durante o ano que agora começa. Não esquecendo a tradição de estrear uma peça de roupa interior azul no primeiro dia do ano.
São superstições, que valem o que valem como é óbvio, mas que se vão cumprir nesta passagem de ano. Just in case.
2011 começou com uma depressão a pairar por cima da minha cabeça e nos primeiros três meses do ano, o ânimo e a vontade não existiam por aqui. Mas em Março houve ali o click, a reviravolta, aquele pequeno momento em que tudo encaixou e a vida voltou a andar para a frente. E o resto do ano acabou por ser muito bom.
Devemos sempre ansiar por melhor, é verdade, mas se o próximo ano for igual à parte boa de 2011, estamos bem. Razoavelmente felizes.
Que haja saúde, dinheiro, felicidade, amor e positivismo, que é algo que nos últimos tempos nos tem faltado. E que haja mais tempo para escrever, que me tem feito falta.
That's what matters.

Friday, December 9

Countdown: sete dias.

Falta uma semana para regressar ao meu Grupinho Maravilha, para pegar na sexta season de Dexter, que termina dia 18 de Dezembro, e vê-la de uma assentada como é a minha tradição desde há umas seasons (já tenho cá umas saudades do meu querido Michael C. Hall), para estar com a minha mãe e ir passear, para me despedir da faculdade com um Adeus, até Janeiro (se bem que os exames começam logo dia 3 e há que estudar um pouco depois do Natal), para pôr FINALMENTE tudo em dia por aqui, que desde que me mudei que não consigo escrever tanto como gosto nem seguir tão de perto os blogs que gosto de ler (e assim sendo tenho dois meses de blogosfera para recuperar... o que vai ser já no próximo fim de semana!), para deixar de me preocupar com o meu estágio e com tudo o resto.
Esta semana que se aproxima vai ser a doer: 3 exames complicadinhos nos três últimos dias, um trabalho para apresentar na segunda-feira sobre um artigo científico de Entomologia Forense, um caderno de laboratório de Toxicologia para fazer por completo... Invarialmente, a última semana do semestre é sempre assim mas parece que custa mais a última semana de Dezembro do que a última semana de Junho... Deve ser do frio.
Countdown para as (mini) férias: sete dias!

Monday, November 7

Da Efemeridade

A felicidade é a coisa mais efémera de todas. Sim, podemos sentir-nos a rebentar de tão contentes que estamos, porque a vida nos corre bem, porque temos alguém que nos ama e que nos faz sentir bem, porque conseguimos cumprir tudo aquilo a que nos propomos, porque podemos fazer o queremos, ir onde sonhamos, comprar o que gostamos, ver o que queremos e tudo o mais. Mas ninguém sorri 24h/24h, desculpem mas eu não acredito nisso, julgo ser impossível. Call me a pessimist.
Eu já fui feliz, claro. Já fui MUITO feliz. Mesmo. Mas já fui feliz num dado momento, numas horas, uns dias. Fui feliz mais do que uma vez, mas sempre por um espaço de tempo delimitado. Fui feliz quando estive em Barcelona. Fui feliz quando o Sporting foi campeão. Fui feliz quando recebi o 16 a Sociologia Criminal. Fui feliz quando o meu ex-namorado me levou a ver os Moonspell num concerto acústico na véspera do Halloween do ano passado. Fui feliz quando vi o David Fonseca na primeira fila do Coliseu de Lisboa e quando fui ao Porto ver os Dream Theater. Fui feliz já uma imensidão de vezes desde que entrei para a faculdade há dois anos. Enfim... já tive os meus momentos.
"Momentos" é a palavra-chave aqui. E é disso que este post se trata. Ser feliz para mim não se trata de uma forma de vida mas sim de como aproveitamos certos momentos da nossa vida que cruzam o nosso caminho.
E é no aproveitar desses momentos que nos surge um sorriso na cara, que nos faz exercitar os músculos, que nos limpa a alma de todas as desilusões e os momentos menos bons e/ou infelizes. E uma verdade é que a felicidade nos torna, como consequência, mais bonitos e atraentes porque uma pessoa que sorria até com os olhos acaba por chamar para si mais atenções.
Apesar de tudo (e de estar a tentar calar as vozes que se estão a começar a querer levantar no interior da minha cabecinha), eu quero aprender a guardar para mim o sorriso que caracteriza estes pequenos momentos de felicidade que me têm dado nos últimos tempos. Porque há algo aqui dentro que me diz que se o mostrar aos quatro ventos, maior é a probabilidade de ele se esvair em três tempos.

Tuesday, May 24

Em certas coisas, eu ainda ajo como se fosse uma criança. Sou mais inocente do que deveria (os vinte e algumas vivências minhas já me deviam ter ensinado mais), sou mais ciumenta e impulsiva do que é esperado e acima de tudo deslumbro-me com uma facilidade tão idiota que até enerva, só de pensar nela.
Estou a deslumbrar-me a pouco e pouco e desde ontem que o sorriso não me larga. Apesar dos nervos por causa da aula de orientação hoje sobre um trabalho de final de semestre, apesar de não dormir mais de quatro horas há duas noites e ter imenso trabalho acumulado (para os professores da minha faculdade, bonito, bonito é pôr as entregas de trabalhos, as frequências e os exames práticos TODOS nas últimas duas a três semanas do semestre... isso é que é bonito!), estou com um sorriso do tamanho do mundo e com um sentimento idiota a crescer cá dentro, que ainda não me atrevo a pronunciar em voz alta.
A imagem do post abaixo (vá, as duas primeiras frases) em tudo tem a ver com a minha tarde de ontem porque é em momentos como estes que vem ao de cima o bom que tudo o resto consegue camuflar o resto do tempo. Nem a vozinha que me gritava "tens de ir fazer alguma coisa de útil por ti abaixo, rapariga!" nem o facto de ter saído de uma aula a meio e só ter voltado ao laboratório umas cinco horas mais tarde para ir buscar as minhas coisas, me afastou dali. Foi natural, fluido e soube tão bem. Limpou-me a alma e assegurou que a minha atitude parva de uns dias antes não tinha tido repercussões, antes pelo contrário.
A questão é que este sorriso e este deslumbramento já por cá andaram (e não foi assim há tanto tempo) e acabaram porque me caiu uma panela em cima da testa que me fez perder o norte. E o sul. E o este e o oeste também. E desde aí que ando desorientada.
Ontem fiquei desorientada (ainda mais?) mas de uma forma diferente. Fiquei desorientada com a confiança, com o à-vontade, com os pontos comuns, com as palavras (aquela frase que me disseste vai aqui ficar e espero mesmo dizer-te um dia "tinhas razão quando me disseste isto"). Acho que estou a começar a re-encontrar o meu norte. Só desejo ansiosamente que haja oportunidade para encontrar os restantes pontos cardeais.

Sunday, April 24

(Duas semanas demorei eu a escrever e terminar este post. E saiu esta porcariazinha porque não posso dar mais de mim ainda. Está giro, isto...)

"É como ouvir alguém dizer vê nessa procura uma razão para virar a dor para dentro."

Ornatos Violeta - "Fim da Canção" - O Monstro Precisa de Amigos - 1999

Há cerca de três meses, quem se atrevesse a dizer que a dor ia passar num instante e que o mundo ia dar a volta no sentido certo, arriscava-se a levar um murro na trombinha. Na minha cabeça, tão limitada que ela é às vezes, era impossível, impensável e impronunciável que tal acontecesse. E enfureci-me que o que para mim era tão óbvio e claramente mentira, fosse tão simples e linear para os outros.
A verdade é que, semanas mais tarde e completamente out of nowhere, o mundo começou a dar a volta. Devagar, devagarinho, que esta pele que nasceu para tapar as feridas ainda é muito recente e fininha e com qualquer golpezinho rasga-se de novo. Devagar, devagarinho que é para prevenir passos em falso. Devagar, devagarinho, mas o mundo está a mover-se. A dor começou a atenuar-se, não a desaparecer porque de quando em vez ainda há por aqui um abanão qualquer que a traz ao de cima outra vez (a cabra!), porque apareceu algo que a mascara.
A minha cabeça grita-me "Get the hell out of here." porque ainda tem bem presente o que se passou da última vez que um sorriso assim se tinha cruzado com os meus olhos. O coração (onde quer que ele esteja que eu já há uns seis meses que o perdi de vista) sente-se que também diz "O que é que estás a fazer, oh minha estúpida?" porque acha que a minha memória só pode ser muito limitada para me estar a deixar envolver outra vez pela mesma conjugação de factores, de pontos em comum; outra vez e tão próximo, parece que não aprendi nada.
Estou aqui no meio à espera que qualquer coisa de bom me apareça aqui no meio, me caia do céu ou de outro lado qualquer e tenho este pequenino feeling que não me larga e que grita altíssimo o que espero e desejo é completamente pointless. Mas apesar disso, esta foi a razão que me caiu nas mãos para virar a dor para dentro. E já era (mais que) altura.

"No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo o mais que ainda escapa
E um verso em branco à espera de futuro."

Tuesday, April 19

Adele, estás a dar cabo de mim.

Esta pequenina britânica tem um álbum novo que é absolutamente fabuloso. O género não é assim muito aquilo que costumo ouvir mas desde que me puseram a ouvir a Someone Like You (e o que esta música me arrepia?) que fiquei vidrada. E depois dessa, descobri a Rolling in the Deep, que tem uma batida imparável e uma letra que é assim daquelas com que me identifico a cada palavrinha.
E a Adele tem uma voz que é de um poder... Ao vivo, tanto a Someone Like You me deixa toda arrepiada e a desmoronar-me por dentro (coisas...) como a Rolling in the Deep me dá vontade de dançar, cantar, exteriorizar tudo como se não houvesse amanhã. Muito boa, esta pequenina Adele. Muito boa mesmo.

Friday, April 8

Noites de Luar

Desde que entrei para a faculdade que qualquer actuação da Tuna masculina era mais que certinho que me fazia deixar escapar umas lágrimas. Sempre gostei de ouvir Tunas desde pequena mas quando é algo que é nosso, da nossa casa, é diferente.
O passado fim-de-semana foi novamente de Praxe e acabou com a actuação das Tunas (feminina e masculina) na própria Academia. E a sensação desta vez foi totalmente diferente de todas as outras. Na Serenata, em Maio do ano passado, chorei que nem uma criança porque o meu Padrinho tinha acabado de me traçar a capa e ele é o solista da Tuna, o que tornou aquele momento ainda mais especial. As músicas em que ele canta sozinho, puxam sempre mais por mim porque o rapaz têm uma voz que me arrepia desde sempre e é uma pessoa que me marcou desde que ali cheguei, já lá vai para mais de ano e meio.
Mas estava eu a dizer que no domingo foi diferente... Ao ver a In'Spiritus (e desta vez, falo da feminina) actuar, senti um orgulho enorme. Ver duas das minhas melhores amigas actuar em frente a toda a faculdade, uma a fazer um esquema com a bandeira, foi assim um daqueles momentos que ficam, que dão sentido e um significado diferente aos tempos de faculdade. E depois, veio a Tintuna (e agora, volto a falar da masculina). E depois, veio o Padrinho cantar a Noites de Luar (belíssima música). E depois, começaram as mãos a tremer. E depois, vieram mais uma vez umas quantas lágrimas e, por estar na primeira fila, baixei a cabeça, esperando que ninguém se desse conta. E depois, foi a Marcha do Pião das Nicas com o meu Padrinho e mais outro dos meus amigos a fazer um esquema com a pandeireta e lá veio outra vez aquela sensação de orgulho, que faz com que o coração fique enorme dentro do peito e a pele toda arrepiada. É indescritível o que se sente quando são as nossas pessoas, a nossa família.
Essa noite de domingo, foi também diferente porque foi quando um dos meus grandes amigos ali dentro me baptizou a capa ("imperial é para meninos, se é para ser a sério é baptizada com vodka... e isto para mim é sério!"), momento para mim bastante importante e que me deixou também com uma sensação de felicidade que já não acontecia há que tempos.
Deve ter sido por todas estas emoções que me atravessaram no domingo, que nos dois dias seguintes fui afogar as restantes mágoas. E é por momentos como estes, muitos deles vividos com o Traje vestido, que cada vez que penso que daqui por um ano estou a acabar a faculdade, dói-me cá dentro. Muito.

Monday, March 14

Tenho tanta coisa para escrever, mas que precisa de ser filtrada primeiro para não dar disparate.

Ele hoje disse-me "antes só que mal acompanhada". Eu encolhi os ombros e engoli em seco. Olhar no chão e o isqueiro que tinha na mão a rodar por entre os dedos. "O problema e quando achamos que estávamos bem acompanhados e sozinhos sentimo-nos uma merda." disse. E instalou-se o silêncio, aquele silêncio que é deveras desconfortável e difícil de quebrar.
Verdade é que senti-me super bem acompanhada durante aqueles momentos, aquelas horas, coisa que já não acontecia há que tempos.
E
é daquelas coisas que deixam uma pessoa a pensar no que não deve.

Friday, March 4

Alexandra's Life OST #11


A música preferida da fase pós-Silence 4. Esta letra grita o meu nome em todas as palavras. Faz as lágrimas correrem cara abaixo sem nada que as consiga parar, porque traz consigo uma nostalgia enorme, demasiado pesada para a minha constituição frágil. Por ser uma música calminha, embala-me. Por ter a voz do David Fonseca, apaixona-me. Por ser um retrato tão duro e realista daquilo que sou, entristece-me. Ao ouvi-la, há sempre qualquer coisa que treme cá dentro, que faz com que se evapore a força interior, com que me sinta uma anãzinha num mundo de gigantes como se o meu 1.76m fosse insignificante e todos à minha volta fossem grandes, enormes e eu uma mera formiga ao lado deles, a tentar passar nos locais que eles não pisam. And it hurts.

"Love, ain't this enough?

You push yourself down
You try to take comfort in words, but words
They cannot love
Don't waste them like that 'cause they'll bruise you more"
David Fonseca - 'Someone that Cannot Love' - Sing Me Something New - 2003

Por todos os motivos e mais alguns, este homem há-de me acompanhar até ao fim da vida. Porque são muitas memórias, demasiadas memórias ao som da sua voz e das suas letras. São já quase doze anos de memórias com a voz do David Fonseca. Mais de metade da minha vida, já. Só espero não chegar ao fim como alguém incapaz de.

Thursday, January 6

Alexandra's Life OST #10


Para ser feita justiça ao título do post, não deveria nomear nenhuma música em especial. Foi complicado escolher só uma música, principalmente deste concerto. A conjugação de metal com uma orquestra sinfónica é das mais harmoniosas que pode haver e este Symphony & Metallica é aquele momento que, após o Black Album, garantiu definitivamente a imortalidade aos Metallica.
A San Francisco Symphony, dirigida pelo grande Michael Kamen, eleva o nível melodioso de todas aquelas grandes músicas que eram já um marco na vida de muita gente. Eles já eram uma grande banda, um símbolo no mundo metal, desde os anos 80 mas foi em 1999 que atingiram um outro nível. Assim como os Iron Maiden têm aquele poderoso concerto no Rock in Rio, no Rio de Janeiro em 2001. Assim como os Pink Floyd têm o Pulse, gravado em Londres em 1994.
O (ainda maior) poder que a San Francisco Symphony traz a músicas como Wherever I May Roam, Sad But True e Nothing Else Matters foi o que me ajudou a optar qual o vídeo a colocar aqui. Porque para além de ser das minhas preferidas de todo o sempre (porque eu posso gostar também da St. Anger que é considerada dos piores momentos dos Metallica por muito boa gente, mas não quer dizer que seja totalmente surda), esta Wherever I May Roam ganha uma força exponencial, desde o primeiro segundo, só pela complementaridade da orquestra.

Saturday, December 25

Do Álvaro de Campos

O Fernando Pessoa era genial. Eu não gosto de poesia, não gosto de ler poesia nem tentar interpretá-la. É um tipo de leitura que me cansa e aborrece facilmente. Não tenho resistência para ler prolongadamente muito verso e muita rima. Mas a obra do Fernando Pessoa (ortónimo e do heterónimo Álvaro de Campos) fascina-me desde o primeiro contacto, andava eu no Secundário. Na altura, era-nos mostrado um pouco da poesia do ortónimo e cada um dos três principais heterónimos. Sendo que, em quarenta e sete anos de vida, o Pessoa construiu cerca de setenta e dois heterónimos, é fácil de se aperceber o quão ínfima é a parte da sua obra que se fica a conhecer.
Do pouco que conheço, mas que chegou para me fascinar e que faz com que há uns dias que ande agarrada a um calhamaço com o essencial de cada um dos heterónimos porque finalmente achei que era altura de dar um bocado de atenção a esta genialidade, o Álvaro de Campos é o que mais interesse me desperta. Primeiro, porque a inspiração de todos os outros, que era o Alberto Caeiro, pastor lá do interior, homem iletrado e sem grande cultura, para mim não passa de um pasmado e para pasmo já me basta a minha vidinha desinteressante, muito obrigada. Segundo, porque o Ricardo Reis, um dos alunos do mestre Caeiro, era um fraco. Sempre com medo de se deixar ir, sempre a sofrer com saudades da Lídia, sempre dramático e ler dramas não é o meu género. E depois, um dos outros alunos, o brutalíssimo Álvaro de Campos, engenheiro naval, refém do ópio e da bebida, grande viajante, tem uma vida e uma velocidade contagiantes que fazem com que leia trinta páginas de um poema sem métrica nem rima nenhuma e chegue ao fim ainda ser ter perdido o norte.
O Álvaro de Campos, para além de ter escrito o Opiário, que para mim é assim qualquer coisa de fantástico (e do qual tomei conhecimento graças aos Moonspell e ao meu amigo Gui que todas as santas aulas de Português do 12ºano me dizia "Tens de ouvir a Opium." vezes e vezes sem conta) descreve-se a ele próprio, nas suas "Notas para Recordação do Meu Mestre Caeiro" da seguinte forma:

"Não creio em nada senão na existência das minhas sensações; não tenho outra certeza, nem a do tal universo exterior que essas sensações me apresentam. Eu não vejo o universo exterior, eu não oiço o universo exterior, eu não palpo o universo exterior. Vejo as minhas impressões visuais; oiço as minhas impressões auditivas; palpo as minhas impressões tácteis. Não é com os olhos que vejo mas com a alma; não é com os ouvidos que oiço, mas com a alma; não é com a pele que palpo, é com a alma. E, se me perguntarem o que é a alma, respondo que sou eu."

Só esta descrição, para mim, é genialidade pura. E nem sequer vou entrar em pormenores em relação ao Opiário, porque senão ficava aqui o resto da noite... Só isto, genialidade e pura inspiração.
E é também por isso que acho triste com tanto bom escritor, andarem por aí a ler Margaridas Rebelos Pintos. Enfim!

Tuesday, November 23

Nightmare - Parte II

Está um frio que não se aguenta. Hoje choveu a potes. Tenho sete cadeiras este semestre e só gosto de duas, ou seja a minha motivação para estar na faculdade é perto de zero. Vou ter três exames em Janeiro no espaço de quatro dias, o que faz com que não faça a mínima ideia como é que vou despachá-los. A última semana do semestre vai ser um terror, com três testes práticos, duas apresentações orais e um relatório sobre uma coisa altamente interessante (not!). E isso interessante é o quê, perguntam vocês... Pólens. Isso mesmo. Pólens. Uí, que alegria tão grande, que coisa tão interessante! E claro que com a camada de nervos que me dá só de sequer pensar nisto tudo, só me apetece fazer algo que não posso, porque não é ao fim de um mês e meio de liberdade disto que me vai dar (mais) uma fraqueza.
E já que, graças à Cimeira da NATO e à vinda do querido do Obama-orelhinhas-de-Dumbo, não houve concerto dos Arcade Fire para ninguém (já eu me andava a babar para cima do bilhete há três meses), estava a pensar arrastar aqui o corpinho Danone até ao Pavilhão Atlântico para ver os 30 Seconds to Mars a 16 de Dezembro, mas como calha nessa semana infernal, não sei não. É coisa para decidir nos dias mais próximos (assim que eu me decidir a começar a adiantar os trabalhos todos que tenho acumulados).

"Fight, not to fail, not to fall, or you'll end up like the others."

Agressivo, agressivo, agressivo. Abana a cabeça, abana o tronco, dá pontapés no ar. Exterioriza, Alexandra, exterioriza. F***-**, como eu odeio o Inverno!

Friday, November 5

Do Medo

"Fear is a habit; so is self-pity, defeat, anxiety, despair, hopelessness and resignation. You can eliminate all of these negative habits with two simple resolves: I can!! and I will!!!"

Eu sou uma pessoa extremamente medrosa. Não sei precisar quando é que comecei a ser assim nem como é que cheguei a este ponto, mas se tivesse que apontar datas seria algures entre 2004 e 2006, aproximadamente. A verdade é quando crio uma certa rotina, um hábito, um meio envolvente constante, é-me muito difícil adaptar-me a qualquer alteração que nele ocorra. E tenho um medo terrível e irracional que isso aconteça.
Foi mais ou menos nessa mesma altura que me esmagaram parte da auto-estima e que fiquei com a percepção que tenho ainda hoje. E assim, é corriqueiro saírem da minha boca frases começadas por "Tenho medo que/de...". De perder, de arriscar, de me deixar ir, de desiludir, de não estar à altura, de chatear, de falhar (o meu perfeccionismo lixa-me tanto a vida às vezes!).
Com estes medos, vem o derrotismo, a ansiedade, o desespero, a falta de esperança e a resignação de não ir atrás de ninguém que me interesse por, à partida, já estar convencida a viagem não vai servir para nada a não ser para me magoar.
A viagem em que embarquei há precisamente quarenta e cinco dias até agora só me magoou graças a todos os medos que tenho. É por não estar segura de mim própria que todos os dias penso "I can and I will" sem me ter ainda convencido disso. O meu desejo é que esta viagem se prolongue pelo máximo de tempo possível, porque uma felicidade destas não sei se alguma vez passou aqui pela minha mui amarrotada alminha, mas a verdade é que me sinto como uma maluca, porque aquilo que desejo é aquilo que estou a estragar, quem sabe muito rápida e permanentemente. Com o quê? Com os meus medos, pois com certeza. Portanto, acho que é claro como água, que me tenho deixar de merdas e mandar todas as minhas paranóias para trás das costas. Quando é que eu vou finalmente começar a fazer isso?
Quando chegarmos aos sessenta dias, rezo eu (não, vá, eu não rezo que sou agnóstica) para que lá cheguemos e a muitos mais, espero para meu, aliás nosso bem, que já me tenham ajudado a largar alguma da minha bagagem. Porque a cada dia que passa fica mais pesada e impossível de suportar e não é meu direito dividi-la com outra pessoa que é totalmente alheia a toda a sua origem.

Wednesday, May 12

Nightmare*

Detesto que façam barulho quando estou concentrada a ler. Detesto o ruído de pessoas a comer pipocas no cinema, que se ouve a maior parte das vezes mais do que o próprio filme. Detesto quando mando uma mensagem importante e não me respondem ou, pior ainda, quando telefono e a chamada fica perdida, porque quem está do lado de lá não lhe apetece atender. Detesto quando não têm maneiras a mesa e mastigam de boca aberta ou sorvem as bebidas e a sopa. Detesto que me gritem. Detesto castanho. Detesto o facto de estar a ficar mais velha e ter cada vez mais ciúmes. Detesto (em algumas ocasiões) o facto de ter ido parar àquela faculdade e ter metido na cabeça que era este curso que queria tirar, só este e mais nenhum. Detesto Bioquímica. Detesto (lá está, tem dias... tipo hoje) a Praxe Académica e tudo o que a Praxe Académica mudou na minha vida desde Setembro. Detesto ter de arrancar conversa a ferros. Detesto ser sempre a regra e nunca a excepção. Detesto ter tirado a carta e ainda não ter possibilidades de ter nem que seja um fogareiro para dar as minhas voltinhas (e o jeito que me ia dar na sexta-feira?). Detesto o meu feitio e o facto de me ter tornado tão sensível. Detesto chorar quando não faz sentido e não chorar quando faz. Detesto que o meu melhor amigo seja tão racional e pragmático, por oposição a mim, porque era assim que eu também gostaria de ser. Detesto perder pessoas. Detesto quando o meu Sporting do coração não joga aquilo que sabe e consegue. Detesto não saber desenhar. Detesto caramelo. Detesto ter-me afastado de ti (mea culpa no que toca a isso, eu sei. Espero que um dia, nem que seja daqui a algum tempo, consigamos dar a volta à situação, juntos) e não me conseguir aproximar de ti. Detesto, nalguns dias, quem ainda tem os pais juntos. Detesto adorar fotografia e ser tão sem-jeito e conhecer ainda tão pouco. Detesto não saber tocar guitarra e não saber cantar. Detesto amanhã ter de ir carregadíssima para a faculdade, com o Traje e mais uma mochila com roupa, porque na sexta tenho de lá estar ao raiar do dia, mesmo ainda antes dos galos começarem a cantar.
Detesto estes dias, como hoje, em que detesto quase tudo. Detesto, detesto, detesto.

*Nightmare é o título do novo single dos Avenged Sevenfold, que estará disponível no próximo dia 18 de Maio. Uma sample de 30 segundos foi ontem apresentada e tenho a dizer-vos que augura algo de bom. Muito bom.

Friday, May 7

"E desde então se lembro o seu olhar é só para recordar, os 15 anos e o meu primeiro amor..."


Ontem, fiz o meu ensaio geral para a Serenata. Cinco horas à espera, uma má-disposição e uma dor de cabeça gigantes, os amigos à minha volta a papar bifanas e imperiais e aqui a menina cheia de frio, com uma garrafinha de água das pedras em cima da mesa.
A verdade é que depois da espera, já quase às 23h, lá apareceram eles, lá me meti eu mais a P. em cima do banco, prontas a fazer figura de doidas (e a quase cair dali abaixo que estava um bocado desequilibrada e sem força nas pernas) e a cantar altíssimo "Chamava-se Nini, vestia de organdi e dançaaaaava..." em uníssono com o meu padrinho (que é o solista da Tuna, e canta bem, mas bem, que nem vos passa pela cabeça, e que me vai pôr a chorar como se não houvesse amanhã, precisamente de hoje a uma semana).
Pois é, porque eu ontem até me consegui controlar, mas já sei que na Serenata isso vai ser impossível. Nesse momento, vou estar trajadinha, de capa traçada, cabelo preso, sem maquilhagem e sem brincos ou relógio. Vou estar enfiada nuns sapatos terríveis e vou estar com os joelhos a tremer que nem varas verdes. Nesse momento, vou estar com os meus dois melhores amigos de toda uma vida (espero eu conseguir levar lá ambos), a ouvir uma música que me arrepia desde que a ouvi pela primeira vez... numa Noite de Luar.
E espero estar tão feliz que até vou meter inveja!

Monday, February 15

Nos últimos três dias, tens sido protagonista dos meus sonhos. Isto já não acontecia há imenso tempo e já de si foi algo que me perturbou um pouco. Mas ainda mais por dois desses sonhos serem a coisa mais parva que já alguma vez me passou pelo sono.
No primeiro, estávamos no Pavillhão Atlântico. Era um concerto de Bob Marley, o que já de si é estranho (porque o homem já está mais que morto e enterrado e acho nem tu nem eu iríamos a um concerto dele nem sozinhos, quanto mais juntos), e a plateia estava dividida em zonas com gente de pé e com gente sentada. Outro pormenor estranho é que estávamos na zona de gente sentada, numas cadeiras de plástico manhosas, e rodeados de pessoas, onde os homens estavam de smoking e as mulheres de vestidos compridos que mais pareciam que estavam a assistir a uma ópera. Já não me lembro bem dos pormenores lá do meio, mas sei que o sonho acabava com o Bob Marley a tocar a Redemption Song, as cadeiras de plástico todas caídas, as pessoas à nossa volta com os fatos e os vestidos todos amarrotados, deitadas espalhadas pelo chão, com montes de sangue à volta, e tu com um balázio enfiado no meio da testa.
O segundo não era nada de especial, nem me lembro bem dele, só sei que estávamos no Colégio, perto daquela que foi a minha sala de aulas no 7º e 8º ano.
O terceiro também não me lembro bem, apesar de ter sido o desta noite; acordei de tal forma sobressaltada que acho que bloqueei o raio do sonho. Só sei que também acabava contigo não em muito bom estado (isto para não dizer outra coisa).

O que é que se anda a passar? Há por aí alguém que perceba alguma coisa de sonhos? É que eu não percebo nada e já me ando a assustar com isto. Não costumo sonhar com pessoas a morrer, e duas vezes a mesma pessoa em tão pouco tempo, é coisa para me deixar assim um bocadinho vá, em pânico. Depois disto, não me apetece assim muito voltar a dormir tão depressa... Esta merda é por andar a ver muito Six Feet Under e as pessoas morrerem de mortes parvas no príncipio de cada episódio é? Ou é por eu sentir a tua falta e andar a evitar-te propositadamente (eu sei que isto é super-contraditório, mas eu cá sei o que ando a fazer... ou não) e agora apetece aí a quem controla quem vive e quem morre que pronto, trufas, vás dar de comer às minhocas? Porra! É que não me faltava mais nada agora... Keep yourself alive and kicking, allright?

Tuesday, February 9

Sem querer parecer mal-agradecida (não levem a mal, por favor), há alturas em que tinha tantos textos para escrever aqui e não posso, por causa de quem lê o blog, que fico assim meia triste. Porque há coisas que não posso dizer, pois não são para os olhos de todos e de alguns em especial. Há sempre uma mistura de medo com um certo embaraço que me prende os dedos na altura de escrever, por isso é que ultimamente não tem saído nada de jeito. Gostava de me sentir tão livre quanto os autores e autoras que fielmente sigo neste mundo da blogosfera, mas há sempre aqui qualquer coisa que me prende e oculta certas emoções e sentimentos e não deixa que a minha escrita flua livremente. Há alturas que quase que desejo ter apenas visitantes anónimos e desconhecidos. Pequenos momentos como este, em que dava jeito que não fosse conhecido, porque assim podia-me expressar da forma que mais me aliviasse na situação em questão.
Hoje, especialmente hoje, estou triste que seja assim... porque o meu stress-reliever principal está condicionado e há um amontoado de coisas que eu preciso de canalizar para outro sítio que não seja dentro de mim. Otherwise, um dia destes verão bocadinhos da Alexandra espalhados por aí, porque o temporizador está-se a aproximar do zero e a bomba está prestes a explodir...

Tuesday, January 19

Alexandra's Life OST #6

Eu tenho um grave problema de expressão que os Clã expõem melhor que ninguém. Mas ao contrário deles, que numa noite fizeram uma canção para resolver o seu problema de expressão, eu nem com canções lá vou. É tão díficil exprimirmos aquilo que queremos ou sentimos em certas situações, com certas pessoas. Eu não digo o que estou a sentir mas também não digo o contrário do que sinto: calo-me bem caladinha, por ser tão díficil. Parece que as frases que formulamos na nossa cabeça, quando chega ao momento de as expressarmos em voz alta, as cordas vocais ficam mudas. Desaprendemos de falar. Uma mistura de embaraço com medo, que faz com que guardemos cá bem no fundo aquilo que deveria ser despejado cá para fora e gritado aos sete ventos.
Eu tenho um grave problema de expressão... talvez por isso, esta seja das minhas músicas portuguesas preferidas de sempre.

"Só pra dizer que te Amo,
Nem sempre encontro o melhor termo,
Nem sempre escolho o melhor modo.

Devia ser como no cinema,
A língua inglesa fica sempre bem
E nunca atraiçoa ninguém.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.

Só pra dizer que te Amo
Não sei porquê este embaraço
Que mais parece que só te estimo.

E até nos momentos em que digo que não quero
E o que sinto por ti são coisas confusas
E até parece que estou a mentir,
As palavras custam a sair,
Não digo o que estou a sentir,
Digo o contrário do que estou a sentir.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.

E é tão difícil dizer amor,
É bem melhor dizê-lo a cantar.
Por isso esta noite, fiz esta canção,
Para resolver o meu problema de expressão,
Pra ficar mais perto, bem mais de perto.
Ficar mais perto, bem mais de perto."

Clã - 'Problema de Expressão' - Kazoo - 1997