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Monday, November 22

Comer, Orar, Amar

Sábado foi finalmente o dia de ir ao cinema ver a adaptação do romance auto-biográfico da Elizabeth Gilbert. Ainda não acabei de ler o livro, falta-me a terceira parte, passada em Bali e que corresponde ao 'Amar', mas não tenho andado com grande espírito para isso.
O filme não está nada assim de especial, está apenas engraçadito. A primeira parte, passada em Itália, deu-me uma fome desgraçada. Ele era pizzas, massas e todas essas comidas que eu adoro e a Julia Roberts, que faz o papel principal, a comer que nem uma lontra... Ninguém aguenta. Quando for a Itália algum dia (viagem a planear um destes dias), volto de lá redonda for sure. Esta primeira parte, que corresponde ao 'Comer' claro está, foi a minha parte preferida do filme.
Depois vem o 'Orar', passado num ashram na Índia. No livro, apesar da minha muito reduzida afinidade para com a religião, esta segunda parte despertou também muito o meu interesse, pelas conversas que a Liz tem com o Richard do Texas e pelas suas meditações, que me deixavam a mim própria a pensar, muitas vezes. E a paisagem, mostrada no filme, é também ela lindíssima.
Mas o cúmulo da beleza está na viagem a Bali, que parece ser um autêntico paraíso de Sol e Mar. E é a parte em que aparece o Javier Bardem (ahahah).
O livro acaba por ser um pouco denso em certas partes, sendo que o filme é muito mais leve e fácil de acompanhar. Agora é ganhar vontade para acabar as cento e poucas páginas que faltam.
Ponto alto do filme: a música escrita, lá está, pelo Eddie Vedder e que aparece nos créditos finais. Chama-se Better Days e é mais uma criação maravilhosa deste homem. Podem ouvir aqui.

"Help me as I'm reaching
The future's paved with better days
(...)
I'm falling, free falling
Words calling me
Up off my knees

I'm soaring and, darling,
You'll be the one that I can need
Still be free
Our future's paved with better days"
Eddie Vedder - 'Better Days' - Eat, Pray, Love OST - 2010

Monday, September 6

[Está por estas alturas a fazer dois anos, assim tipo amanhã, que me estilhaçaram o coração em mais pedaços do que aqueles que é possível a um ser humano contabilizar. Ora, claro que isso não havia de dar bom resultado e Setembro de 2008 foi assim um péssimo, péssimo mês que começou mal, continuou mal e acabou ainda pior. Começou com o fim de algo que ainda estava no principio, é certo, mas que no meu ponto de vista teria muito potencial (aparentemente, era só mesmo no meu ponto de vista... e eu vejo um bocado mal). Continuou com uma mudança de cidade que parecia que me doía fisicamente a cada quilómetro mais a Norte que percorria na auto-estrada. Acabou com uma volta de 270º na vida que eu achava totalmente rotineira e desinteressante mas que afinal se revelou altamente interessante quando comparada àquilo a que fui parar durante os onze meses seguintes.
Há mais ou menos um ano, quando entrei para a faculdade pela segunda, e definitiva, vez, tudo voltou a mudar. Para melhor. Devagarinho e com um grande retrocesso por volta do final do primeiro semestre. Por cada passo que já tinha dado em frente voltei a recusar dois, ou seja, voltei quase ao princípio novamente. E doeu como a merda. Mais ainda, se possível, do que da primeira vez porque foi um corte mais radical (e definitivo, talvez?).
Ao fim de dois anos, a verdade é que dói cada vez menos, apesar de eu saber que, lá no fundinho, há-de ficar sempre aqui uma réstia de mágoa, quanto mais não seja pela forma como tudo se desvaneceu e os efeitos a longo prazo (uns bons, outros nem por isso) que todo aquele mês, maldito mês, teve na minha vida. E dói cada vez menos, porque me têm vindo a ensinar, devagarinho, devagarinho, que todos os estilhaços podem ser colocados novamente no seu sítio original, mesmo que já tenha passado tanto tempo e as suas bordas não encaixem completamente como um puzzle (or so I thought).
Vamos ver se a última dúzia de peças que ainda me falta colar, sim porque elas eram mesmo muito pequenininhas e dão um trabalho dos diabos para encaixar novamente, se completam brevemente. Embora já as devesse ter perdido, as expectativas são que sim, mas nunca se sabe.
E eu não paro de repetir para mim mesma que isto tudo há-de estar prestes a ir pelo cano abaixo novamente em breve, porque é sempre assim.]

Monday, May 24

Hipoteticamente falando:

Temos três pessoas: X, Y e Z.
X é amiga de Y e fala ocasionalmente com Z, sendo que a tendência é quase que a situação se inverta.
Y e Z conhecem-se bastante bem.
Não é suposto Y e Z saberem da existência um do outro na vida de X, o que não lhe dá jeito nenhum, uma vez que para se sentir bem X terá de ter a liberdade para falar abertamente sobre ambos e com ambos. Ora, o que acontece é que parece que X prometeu a Y que nunca falaria de si a Z (ou vice-versa, já não sei bem).
X não sabe muito bem o que fazer. Quer dizer, nem sabe muito bem nem sabe muito mal... não sabe, pura e simplesmente.

Olha o imbróglio que para aqui vai... Como é que se aconselha alguém que está aqui no meio? É que eu também não sei...

Wednesday, April 21

Um Dia

"Um dia, o mais provável é tornares-te num chato, deixares de sair à noite e começares a levar-te demasiado a sério. Nesse dia, vais começar a vestir cinzento e bege, pedir para baixar o volume da música e deixar a tua guitarra a apanhar pó. Vais tornar-te politicamente correcto, socialmente evoluído e economicamente consciente. Vais achar que tens de ir para onde toda a gente vai e assumir que tens de usar fato e gravata todos os dias. Nesse dia, vais deixar de beijar em público, as tuas viagens serão mais vezes no sofá e dormirás menos ao relento. É oficial. Vais entrar na idade do chinelo e deixar de ser quem foste até então. Vais deixar de te sentar ao colo dos amigos e vais esquecer-te de como se faz um quantos-queres ou um barco de papel. Vais ficar nervosinho se não trocares de carro de quatro em quatro anos e desatinar se o hotel onde estiveres não te der toalhas para o teu macio e hidratado rosto. Vais tornar-te muito crescido e começar a preocupar-te com tudo e com nada e a não fazer nada porque 'vai-se andando' e a vida é mesmo assim. Vais dizer não mais vezes, vais ter mais medo, vais achar que não podes, que não deves, que tens vergonha.
Vais ser mais triste.
Nesse dia, o mais provável é que também deixes de beber refrigerantes.
Aqui fica uma ideia: quando esse dia chegar, não lhes fales.

Mantém-te ORIGINAL"


Vi ontem na capa do Destak (que afinal até serve para um bocadinho mais do que para ler no comboio para o Monte da Caparica) e adorei. :)

Friday, February 13

Blue and Yellow #1

Este post bem que podia ser a continuação do anterior porque hoje me apetece filosofar sobre relações, mesmo não percebendo nada do assunto. É assim, abrimos um bocadinho pequenino duma janela, vem logo uma corrente de ar e trufas! Adiante...
A propósito de um e-mail que está no Outlook em stand-by há vários dias, à espera que eu o escreva e envie, e a propósito também da destinatária desse e-mail, estive a pensar em relações à distância. A pessoa para quem deveria mandar o e-mail é (era?) minha amiga já há praticamente oito anos e desde finais de Outubro que vive em Londres. Durante imenso tempo, senti-me movida por uma espécie de 'obrigação', que ela claramente não sentia, em manter o contacto, pela ligação que tínhamos e pelo facto de gostar imenso dela mas hoje em dia já não sinto obrigação nenhuma. Daí o e-mail estar armazenado no Outlook. Porque é que eu hei-de estar a puxar uma corda que do outro lado já está solta há muito tempo? Por teimosia (ou terá sido estupidez?) quis ignorar esse facto durante meses, anos, até que finalmente me cansei. Cumpri o meu papel, tentei ao máximo, por isso agora já não me custa quase nada não lutar por algo que não vale nada. Ou melhor, que só valia alguma coisa para mim. Encontrei quem a substituísse, assim como ela fez comigo bastante mais rápido até (e não foi só comigo).
Dando um saltinho da amizade para o amor, hoje sou uma céptica no que toca a relações à distância. Meia dúzia de leitores deste blog, se tanto, agora vão estar a pensar "Ah e tal, mas ainda há seis meses a tua conversa era outra...". Pois era, meus queridos, pois era mas há seis meses eu andava com a cabeça apaixonada e nas nuvens e só os burros é que não mudam de opinião. Eu, felizmente, até me considero um bocadinho inteligente e pensei melhor. Há seis meses atrás não sabia o que sei hoje e por isso mudo o discurso.
Para uma relação funcionar não basta só que as duas pessoas gostem muito uma da outra. Pode ser tudo muito bonitinho, até se podem falar todos os dias e dar-se sempre bem e nunca discutir mas quando, e se a relação lá chegar, e a convivência se tornar quase permanente, day in and day out, o caso muda de figura. Há aqueles dias maus que têm de ser ultrapassados em conjunto (então se um dos dois tiver o mau feitio que eu tenho, preparem-se que não deve ser nada fácil). Há as discussões. Os ciúmes, que à distância até são sempre mais díficeis de controlar e influenciam tudo o resto. Os pequenos pormenores do dia a dia, bons e maus, que quando se tem uma relação à distância não surgem. Se as duas partes tiverem força para isso, pode-se manter um relacionamento destes durante anos e anos, não digo que não. A única coisa que eu duvido é que quando finalmente juntarem os trapinhos, derem o nó e 'bora lá morar juntos', a coisa dê certo.
Pode dar, não digo que não, mas duvido.
Por isso, hoje digo que a minha conversa de há seis meses era um grande disparate... Acho que nunca irei saber o que é que teria saído dali, caso a relação tivesse tido pernas para andar, mas sei que a consequência não foi má, pelo contrário, até foi bastante boa. O mesmo não se pode dizer de outros casos. Que efectivamente andaram para a frente mas que um dia poderão dar três passos de gigante atrás (ou eu também posso estar altamente enganada).

(Música que dá título ao post aqui.)

Wednesday, February 11

Love is in the Air... NOT!

Desde ontem à noite que estou com uma neura terrível. E há pouco, só para ajudar à festa, durante uma conversa telefónica que finalmente me estava arrastar para fora da cápsula, o meu telemóvel morreu. Falta de bateria, pensei eu e, qual boa samaritana, fui ligá-lo à corrente, dar-lhe o alimento que achei que ele precisava. É o precisas! Agora jaz ao meu lado, aqui na secretária, ainda ligado à corrente, com a esperança que ressuscite assim por obra e graça do Espírito Santo. Verdade seja dita duvido muito, mas também a minha vontade de ir amanhã à Vodafone é nenhuma.
Adiante para o que me trouxe aqui hoje: o Dia dos Namorados. É que já não se aguenta tanto amor, tanta montra vermelha e cor-de-rosa, tanto coração espalhado por aí, tanto anúncio parvo (é só olhar para o outdoor da TMN: Foforrucho? Xuxuzinha? WTF?), tanto chocolate, tantos parzinhos colados que nem lapas nas ruas, tanta mãozinha dada quando no resto do ano, se for preciso, anda cada um do seu lado do passeio...
Ressabiada? Talvez. Invejosa? Quem sabe... Verdade é que, já no ano passado o meu modo de alergia a parzinhos esteve activo e lá nos máximos nesta época e este ano repete-se a dose. Mas com mais fúria. "Ah, tu és assim, ressabiada, porque não tens namorado..." é a conversa que oiço todos os anos. Talvez, meus queridos, talvez. Admito que sim. Mas mesmo que tivesse, não me estou a ver a andar por aí, embebida em toda esta lamecho-pinderiquice que tomou conta de mais de meio mundo na última semana. Não é por estar escrito no calendário que se deve demonstrar aquilo que sentimos pela pessoa que está ao nosso lado. Uma coisa é comemorar um aniversário de namoro ou de casamento, outra completamente diferente é fazê-lo só porque 'é o Dia de S. Valentim'... Haja paciência. Se só se demonstram sentimentos porque 'é o Dia de S. Valentim', something is very wrong. Digo eu e eu até só uma pessoa que liga bastante a datas disto e daquilo. Mas também o que eu digo não se escreve porque não percebo nada de relações. Há coisas que só se sabem por experiência e a experiência não mora aqui.